Gordofobia.
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Gordofobia.

Oi de novo pessoal! Hahaha! Para quem não viu, já postei hoje aqui no blog sobre o Oi Bowl Jam, procura aí!

Nesse post de agora, tão esperado por mim, uma amiga minha (beijo Gabs lindinha) comentou comigo para falar sobre gordofobia, que sim, acontece infelizmente. E aí resolvemos chamar a tia dela, Luana Machado (que é educadora) para falar sobre isso! Eu amei o texto e espero muito que vocês gostem também! Para tudo, abre sua mente e vamos refletir! Gordofobia aqui não!

GORDOFOBIA (Por Luana Machado).

“Saindo da Ignorância:

A palavra gordofobia ao pé da letra seria “medo de gordo”. Um tanto cômico, se essa palavra não fosse usada para definir algo tão comum nos dias atuais. Se analisarmos de uma forma bem superficial, o medo gera um incômodo e todo incômodo gera uma reação consciente ou motora justamente graças ao incômodo causado pelo medo.

Vamos tentar trazer isso para as nossas vidas.

Se você “tem medo” das injeções, automaticamente você se sente incomodado na fila da vacina, o que te fará de uma forma bem consciente pensar em uma desculpa muito boa para não se aproximar da agulha ou simplesmente de uma forma automática atacar os profissionais que estarão manuseando tal instrumento. Então espera, se eu dou risadas ou faço piadinhas com a “gordinha” do meu colégio significa eu tenho medo dela? Talvez! Ou simplesmente se sinta tão incomodado com ela ao ponto de ter que “agredir” ela de alguma forma. Vamos falar de padrões:

Desde que o mundo é mundo, o rosa é da menininha e o azul é do menininho. O carrinho é do menininho e a boneca é da menininha. E por aí vai… Mas espera, eu cresci e agora?

E agora, que os músculos e a barriga tanquinho são do mocinho, enquanto o bumbum durinho, os seios fartos e empinados e a barriguinha sequinha são da mocinha; sem detalhar o fato de que topete, cabelos lisos, pele branca e olhos claros são itens obrigatórios da estética.

Entenderam!? Vocês cresceram e são meras pecinhas de uma fábrica chamada mundo atual, onde você será descartado se sair fora do padrão. Legal isso né!?

Sim, muito legal, se acaso você de fato fosse uma peça, funcionasse como um robô programado pela mídia e não carregasse contigo uma história de vida, uma personalidade e um coração. E se eu fizer parte das pecinhas com defeito?

De acordo com a fábrica mundo atual e a senhorita mídia que ocupa o cargo de gerente geral; você simplesmente não serve e será descartado. Mas eu não sou uma peça, um robô programado e blá, blá, blá, então prove! Seja capaz de se colocar no lugar do outro e tentar calcular a dor causada pelas marcas do descarte.

Vamos falar de vida real: Meu nome é Luana, tenho 27 anos, fui criada em uma pequena cidade do sul de Minas. Cresci rodeadas de amigos, primos e sempre corri, brinquei e joguei bola na rua… Fiz dança e vôlei durante toda a minha adolescência, pra ser exata, dos 11 aos 17 anos, eu mantive uma rotina semanal baseada em treinos de vôlei, escola, aulas de dança, cursinho de informática e inglês. Enquanto passeios, pequenas reuniões e baladinhas marcavam os meus finais de semana.

Vocês vão achar irônico ou até hipócrita, mas era como se “eu não soubesse” que era gorda. Sim, isso mesmo, eu era rodeada de pessoas que de fato me conheciam, me amavam e me respeitavam, tinham pleno conhecimento que eu não era uma adolescente sedentária e menos ainda deprimida. E os namorados!? Então, sempre foram ótimos comigo! Ou seja, hoje compreendo que fui uma garota de sorte ou o mais provável, uma garota de atitude.

Aos 17, fui morar na cidade vizinha com o meu irmão e a minha cunhada. Decidi concluir o ensino médio à noite e procurar um trabalho, alguma ocupação durante o dia. De repente, buuum! Deparo-me com um anúncio que indicava contratação de menores como vendedores de “determinada loja”. Fui até o endereço, me apresentei e fui entrevistada. Recebi muitos elogios durante a entrevista e saí dali muito satisfeita; senti que a vaga era minha.

E foi quando veio a bomba! “Olá Luana, bom dia, aqui é a “fulana”, gerente da loja “tal”… Então, estou ligando pra dizer que você foi muito elogiada pela nossa representante durante a entrevista. (Silêncio e em seguida um suspiro). Mas ela também nos comunicou que você é “gordinha” e infelizmente não podemos mudar o tamanho PADRÃO dos nossos uniformes! (Silêncio total mais uma vez, outro suspiro). Espero que entenda obrigada!”.

Pra mim, era como se aquele ligação fosse um trote, uma brincadeira de mau gosto e aquelas palavras ecoaram na minha memória durante todo aquele dia. E foi justamente naquele dia que eu me toquei, que eu senti que o preconceito estava ali. Doeu, mas não me feriu ao ponto de me parar, de me fazer cair e não querer mais levantar… Não me tranquei e acreditem, não deixei de usar biquínis ou shorts por isso.

E depois de 10 anos? Hoje eu trabalho em uma Instituição que atende crianças carentes, sou educadora, eu vejo o quanto as “pecinhas fora do padrão” sofrem e são descartadas, acredite, o maior problema não está nas “pecinhas fora do padrão” e sim nas que insistem em descartar a vida que há nelas, em troca de permanecerem como robôs.

Conclusão? Você não é obrigado a amar a obesidade, menos ainda se esbaldar com refrigerantes e frituras… Se entupir de fast food ou pregar a obesidade. Basta você compreender que obesidade não é doença, não pega e acredite se quiser, não está diretamente ligada a feiúra, OK!?

Respeito é o segredo! Ou você acha que zuar a gordinha ou o gordinho da escola vai fazer de você um diferente!? Ah, esqueci, você não acredita nas diferenças não é!? Pra você tudo tem um padrão, ou não!?!”

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Essa é a Lu, gente!

Comentem o que acharam! Compartilhem, contem histórias e experiências. Mas não fique calada diante disso! A mídia impõe muito, então precisamos colocar a boca no trombone para mudar isso!

Beijos, Beijos!

(Obrigada Lu, um beijo especial para você!)

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sobre a autora

Apaixonada por tudo que faz meu coração vibrar: moda, dança, livros, fotografia, viagens, longboard, arte (em geral), música, céu, mar, sol e lua! Sou uma pessoa de muita fé e de alto astral! Futura estudante de moda, eu quero mostrar o lado “moda como expressão da sociedade”, pois acredito que ela não é só consumismo e regras ditas!